Nem precisava, mas lembro que esta é uma opinião pessoal, que pode em maior ou menor grau refletir a da comunidade geral de RTS gamers. Dito isto, vamos ao tema: que de RTS eu vou pra jogar online? Esta dúvida me volta de tempos em tempos. E cada vez que ela vem acontece uma de duas coisas, ou eu mudo de RTS ou continuo jogando o que já estou, o que é mais frequênte. Simples? Que nada, porque as opções são muitas, e nenhum título é perfeito. MInha última descoberta nesta área é que não se deve confundir um bom jogo com um bom jogo online. São duas coisas diferentes! Explico mais a seguir.
No início do ano escrevi um review sobre o C&C3 Tiberium Wars. Esta análise ainda pode ser lida aqui no site. Nela a avaliação é muito positiva. De fato, continuo achando o jogo muito bom. Mas no setor online, acabei não fazendo a transição para ele. Continuo um Age 3 gamer. De alguma forma, apesar de tudo a favor, a experiência online com o C&C3 não me pareceu tão divertida (até agora, pois também não parei totalmente de jogar C&C3), e nem vou chegar ao ponto de tentar analisar e explicar todos os pontos. É uma impressão pessoal, que contribuiu para meu comportamento, não precisa ser racional. Nos últimos dois meses tenho lido pela Internet posts de outros jogadores que se dizem traídos pela EA, que apresentou o jogo como um RTS competitivo, mas depois não fez as alterações necessárias para manter esta posição, abandonando as expectativas da comunidade. Traição não é a melhor palavra, pois a EA ainda me parece disposta a isso, lançando patches e fazendo propaganda. O problema é que, por alguns fatores, ainda não conseguiu. Para mim a questão ainda é até que ponto eles estão dispostos a investir, de modo consistente, contínuo e em maior prazo, para adquirir a confiança da comunidade. O pior é que a futura expansão, Kane’s Wrath, anunciada muito antecipadamente (o que na minha opinião é meio desanimador), e que parece que muda demais a versão original. Isso sinaliza que a versão atual não está indo bem. Preocupante.
Mas para esclarecer, preocupante do ponto de vista da comunidade que joga online, principalmente os mais “profissionais”, porque o CnC3 não vai deixar de ser bom, e para a maioria das pessoas tanto faz esses detalhes de alterações de patches e expansões. Pois bem, este é o ponto. Cada vez mais me parece claro que um jogo de sucesso online precisa ser melhor em algumas qualidades, que em um jogo singleplayer não precisa. No singleplayer as pessoas pensam nos gráficos, na jogabilidade, na estória, e se tudo isso funciona sem travar, está ótimo. No jogo online, o que importa é se o jogo fica lento na Internet, se dá lag, se o sistema de pontuação de ranking funciona, e as facções estão equilibradas e se existe muitos competidores a qualquer hora pra jogar. Os mais “pró″ desejarão campeonatos patrocinados, prêmios, glória. Ou seja, são dois mundos diferentes!
Não deve ser por outro motivo que um Stacraft, que eu só comprei a poucas semanas, mas que tem 10 anos de idade, continua mantendo dezenas de milhares de praticantes online, apesar dos gráficos simplórios (mas de bom gosto) e das campanhas já não serem mais novidade para os jogadores habituais. Agora, quantos jogos com superproduções gráficas e de campanhas épicas se tornam fracassos online? Quase todos.
O complicador, e que confunde tudo, é que todos os jogos tem o modo singleplayer e multiplayer, e normalmente tentam agradar aos dois grupos, e isso não está errado. Um bom jogo permite uma progressão suave entre uma campanha casual no modo easy e uma partida online com top player. Cabe ao consumidor-jogador se informar sobre os pontos fortes e fracos de cada título. Então foi isso que fiz com os títulos com alguma chance no mundo online competitivo a esta altura de outubro de 2007. Começando pelos jogos a Blizzard: Starcraft e Warcraft III Frozen Trhone. Estes estão tranquilos. Tem praticantes fiéis. Sobre o primeiro existe a dúvida com o lançamento da segunda versão, no ano que vem. Mas continuam com suporte sólido da Blizzard, e a qualidade está lá, comprovada pelo teste do tempo e dos milhões de jogadores. Apenas para comparar, Starcraft e Age of Empires II foram ambos lançados em 1997, mas o primeiro tem 15 patches e suporte online pela empresa até hoje, ao passo que o segundo tem 3 patches e a Microsoft descontinuou o serviço online (Zone) faz tempo, obrigando os usuários a usar serviços de terceiros, nem sempre de boa qualidade.
Continuando, vamos aos outros dois participantes da WCG 2007, CnC3 e Age 3 TWC. O CnC já comentei antes. Continua uma promessa, mas com futuro preocupante. A EA tem histórico de suporte aos jogos pior do que o da Microsoft. Talvez eles tenham se dado conta que com RTS competitivo tem que ser diferente … ou não… disso depente o futuro do CnC3. De qualquer modo, os problemas no sistema de pareamento de partidas continuam, bem como os desequilibros, esperando soluções. Já o Age 3, na minha opinião ele continua apenas por falta de opções de mercado. Ele é médio, nem tão ruim, nem tão bom. A ambientação não me agrada, mas a a jogabilidade é boa. Um ponto muito negativo é justamente as tais das Home Cities, que obrigam um jogador a ficar evoluindo cada civilização antes de poder utilizar todas as estratégias do jogo. Uma coisa meio RPG que gera debates a cada campeonato (deve ser level 1 ou 134?… ). Faltou algum jogo? Ah sim, talvez o Company of Heroes, só este que não foi lançado no Brasil, nem está no WCG (aliás votei nele para a WCG 2008) … E depois desta análise, a surpresa que a quantidade de opções se reduziu bastante, de umas 3 dezenas de títulos que podem ser jogados online para apenas 4 ou 5 que valem a pena jogar competitivamente online hoje em dia.
No meu caso particular, continuo por enquanto no Age 3, pois a opção mais viável no meu caso seria voltar a jogar Warcraft 3, em que tenho alguma experiência mas ao qual tenho algumas restrições (conceito visual carnavalesco, elementos RPGs na evolução de heróis, extremo microgerenciamento, mas que diabos, nada é perfeito! …). Enquanto isso, continuo acompanhando o desenrolar das coisas com o C&C3 (e jogando ele casualmente), provavelmente vou ficar acompanhando até o lançamento da expansão Kane’s Wrath. Ou mais promissor ainda, de olho no Starcraft 2.