Refrigeração de PCs e o gabinete Gamer II Blue Eye: ainda é uma boa escolha

Recentemente tive um problema refrigeração em PC que me fez exercitar todas as boas práticas recomendadas nesta área. A máquina tem uma placa M2N-SLI Deluxe, Althon 64 X2 com TDP de 95W, com cooler box, GeForce 8800GTS, 3 HDs, fonte Seventeam de 600W. O gabinete era um Maxxtro Aries, já com cooler na frente de 12″ e traseiro de 8″. É uma máquina usada pra jogos, e existe a ambição de realizar algum overclock nela. Só por esta descrição já dá pra sentir que algo deveria dar errado, pois é muito hardware para uma solução de refrigeração genérica. Mas vamos ver os passos para solução, que no final comprovaram esta suposição.

1) Identificação dos sintomas: a temperatura de processador passando do nível máximo, e a da placa mãe logo atrás, perto do máximo. Sem a tampa lateral as temperaturas continuavam altas, mas sem ultrapassar. Mas note que isso foi testado no inverno (do Rio de Janeiro). Usar a máquina sem a tampa não é solução aceitável para mim.

2) Tentei arrumar melhor os cabos. Na realidade já estavam razoavelmente bem arrumados, e não havia muito o que fazer. É uma prática que já adoto por padrão. Nenhuma melhoria visível na temperatura, mas pelo menos ficou bonito…

3) Tentei identificar os componentes mais culpados pelo aquecimento: Talvez pudesse abrir mão de algum deles. Pensei logo nos HDs. 3 HDs com certeza geram mais calor que 1. Só que deixando só um HD o problema persistia. Ou seja, nestes casos, só testando que se pode saber com certeza, a intuição sozinha não resolve. Pra encurtar a história, a placa de vídeo era a principal culpada. Trocando por uma placa de vídeo menor (testei a GF 9400), a temperatura ficava dentro dos limites. Mas como é uma máquina usada pra jogos, não poderia abrir mão da 8800GTS e deixar a 9400, que tem uma performance muito pior.

O processador podia ter TDP menor, de 65 ou até 45 W. Sim, mas olhando no mercado, são muitos processadores neste nível de dissipação, ou seja, 95 W também não é nenhum exagero. E no final fiquei com uma dúvida com relação à placa mãe M2N-SLI Deluxe, com o seu sistema de dissipação passivo. Ele é muito bonito, com aquele tubo de cobre brilhante cruzando o meio da placa, mas a temperatura do chipset estava no limite default do BIOS e do Asus probe. De qualquer modo, é apenas uma suspeita. Conclusão dessa etapa: não daria pra retirar nada que pudesse melhorar a temperatura. Podia tentar consolidar os HDs em 1 maior, mas não iria adiantar.

4) Como a temperatura do processador estava estourando com mais frequencia, passei para a troca do cooler do processador. O escolhido foi um Coolermaster Hyper TX3. Realmente adorei o TX3. Silencioso e eficiente, a temperatura do processador nunca mais passou do limite. Mas a do chipset … A temperatura do chipset não chegava no limite porque a do processador chegava antes. Agora sem este limitador, ela ia embora.

5) Voltei o foco pro gabinete. Desde o início este gabinete Maxxtro parecia destoar do resto do PC. Mas eu queria ter certeza disso, e saber porque. Por isso testei tudo e deixei o gabinete para o final. Na verdade, desde que começou este problema lembrei com saudade do gabinete Blue Eye que eu tive alguns anos atrás, que foi o que resolveu o aquecimento de um certo modelo de Pentium 4 que também aquecia em excesso. Vendi este gabinete junto com um PC, com o mesmo Pentium 4. Afinal eles eram a combinação perfeita, nos outros gabinetes que testei, mesmo alguns bem mais caros, o processador sempre entrava em throttling. Bom, mas também não iria escolher um gabinete agora com base num fato de 4 anos atrás. Vamos pesquisar as soluções atuais, deve existir coisa melhor agora…

A primeira coisa que eu fiz foi testar um gabinete que já tenho, um Colermaster Centuriom 5. Bem mais caro e de melhor acabamento que o Maxxtro, não resolveu nada. Várias pesquisas na Internet sobre gabinetes, idas ao Ed. Av. Central, e pesquisas de preços depois, encontrei algumas opções. Uma que me chamou a atenção foi o CoolerMaster nVidia. Se eu não tivesse restrições de orçamento teria comprado esse. Encontrei outros 2 ou 3 interessantes mas que não achei pra vender aqui. E me deparei com o próprio Blue Eye, em um artigo do site Clube do Hardware, falando bem da capacidade de refrigeração e no final colocando-o como produto recomendado. Isso bateu com a minha experiência pessoal anterior. Para quem rejeita a marca Leadership, é interessante notar também que este gabinete é projetado e fabricado por outra empresa, a AeroCool, especializada neste tipo de produto, e fornecido em OEM para a Leadership. ( http://www.aerocool.com.tw/ )

Bom, passei a considerar o Blue Eye novamente. O preço agora, por ser um modelo antigo, estava bem menor, na faixa de 200,00, 1/3 do Coolermaster nVidia. É engraçado que o primeiro Blue Eye eu comprei mais por causa do visual, mas agora ele me parece meio “espalhafatoso”, enfeitado demais, aceso demais… Depois do primeiro Blue eye passei a comprar gabinetes mais sóbrios, embora ainda com estilo. Bom, só que pra não pagar 3x mais só pelo estilo sóbrio, comprei o Blue Eye mesmo. Montei a máquina nele, olhei o Asus probe e, que alivio, aproximadamente 10 graus a menos no processador e no chipset. Testei todos os programas de stress e não consegui fazer as temperaturas chegarem no limite. Beleza, problema resolvido, usando um gabinete feinho de 4 anos atrás.

Na verdade, pra quem rejeita o visual casemod extremo, é muito fácil tornar o Blue Eye mais driscreto. O mais fácil é simplesmente remover a tampa frontal dos drivers, que na minha opinião é a única parte realmente feia desse gabinete. Basta simplesmente colocá-la em uma posição 45% aberta e puxar para cima que ela sai sem nenhum esforço. Isso já muda completamente a cara do gabinete e o torna visual mais “leve”. Esta tampa frontal não proteje quase nada, e dificuta um pouco o acesso ao DVD e ao botão de ligar (e ao de reset também). A única utilidade que consigo pensar para esta tampa é justamente protejer os botões de ligar e reset, mas dependendo da pressa, essa utilidade é justamente o problema. Bom, não joguei a tampa fora, só a deixei de lado, de vez em quando eu a coloco lá. Como acabei me reacosumando com o visual gamer, parei por aí. Mas quem quiser pode trocar a grelha lateral de caveira por outra padrão que custa 10 reais. Os leds azuis podem ser removidos trocando os coolers (e ele não faria mais juz ao Blue do nome…). E tirarando a alça de cima, aí o estilo fica quase “careta”, salvo apenas pela turbina frontal que não dá pra esconder. Mas essa turbina, diga-se de passagem é o grande trunfo técnico do Blu Eye. Vejamos porque.

Saindo da estética e voltando à refrigeração, a “turbina” na realidade é meio estética sim, mas não completamente. O efeito de turbina nada mais é do que um conjuto de pás que giram impulsionadas pelo fluxo de ar do fan de 12″ frontal. Este fan é que realmente coloca ar pra dentro, as pás são puro apelo visual. Mas ainda assim o fato é que, ao contrário da maioria dos gabinetes, aqui a abertura para entrada de ar frontal é quase completa, está liberada. Note que nos gabinetes mais convencionais existe um fan dianteiro, mas na frente dele geralmente existe uma chapa com alguns furos (mais chapa que furos), uma grade, uma espuma, a tampa da frente (muitas vezes sem furos!), etc. Quer dizer, tudo isso limitando a entrada de ar.

No Blue Eye, não, só existe uma grade bem aberta na frente da turbina (mais furos que metal). As pás da turbina, que como foi dito são estéticas, são também uma solução genial para esconder as pás enormes do fan de 12″, não tão bonitinhas, sem prejudicar a entrada de ar. Resumindo, basta por a mão na frente para sentir o fluxo de ar intenso. Coloque a mão na frente do seu gabinete, na posição do fan dianteiro, e se sentir algum leve fluxo de ar pode até ficar feliz, pois não é dos piores, mas é privavel que não sinta ar nenhum passando. Além disso em comparação com o Maxxtro, por exemplo, o Blue Eye tem mais espaço interno para a circulação de ar. Ele é mais largo, 20 cm contra 18,4 do Maxxtro. E por fim, outros detalhes como antradas de ar nas tampas, abertura maior no fan traseiro e lateral também, etc, tornam o Blue eye bem mais eficiente do ponto de vista térmico. Problema resolvido e entendido.

Quanto ao Maxxtro Aries que sobrou, vou utilizá-lo para fazer casemod de verdade, e não o comprado pronto como o Blue Eye. Não é só por hobby, vou tentar resolver alguns dos problemas que falei antes, removendo os obstáculos à entrada e saída de ar. A solução não é tão difícil, basta serrar a chapa na posição onde estão os furos e aparafurar uma grelha. Na traseira vou trocar o fan de 8″ por um de 9. Depois com calma vou tentar abrir uma janela de acrílico na lateral (isto sim, só estética). Só que com certeza não vai ficar tão bom quanto o Blue Eye, pois o Aries tem limitações, como a largura e consequentemente o espaço interno por exemplo, que só fazendo outro pra eliminar. As dicas aqui são a ótima relação custo benefício do Blue eye neste momento e, mais genéricamente, para jamais desconsiderar a importância do gabinete em PCs de alta dissipação termica.

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